Mas em algumas situações parece que ficamos sem saber o que fazer e quando saímos do sério, o tapa volta a aparecer. Pais e mães tristes, crianças tristes ou mesmo bravas, é iniciado um ciclo que pode crescer e tomar conta do dia a dia de uma maneira bastante complicada.
Quando batemos em nossos filhos eles aprendem algumas coisas:
Aprendem a ter medo do mais forte, e isso pode seguir por bastante tempo na vida
Aprendem que é batendo que se resolvem os momentos difíceis, afinal é assim que vê seus pais resolvendo os mesmos momentos
Aprendem que o tapa vale mais do que o diálogo, a conversa.
Quando pais batem em seus filhos, normalmente buscam controlar alguma situação, mas os adultos nessa mesma situação, encontram-se completamente descontrolados. É muito confuso para a criança pensar que esse nosso descontrole que surgiu através do tapa , serve para educar ou controlar algum momento.
Toda essa confusão faz com que a criança não aprenda, afinal ela interrompe o que estava fazendo por conta do susto que leva, do medo que sente. Acontece que dificilmente aprenderá, isso porque não vive o processo natural de que toda ação tem sua consequência. Quando esse processo é interrompido, é como se a reflexão também fosse interrompida.
Essa é a grande armadilha, porque muitos pais pensam que o tapa funciona porque a criança realmente interrompe o que estava fazendo. Mas isso acontece com o susto e não por ganho de consciência. O que vem depois? A atitude se repete e os tapas se tornam mais frequentes. Fora que com o tapa e com essa falta de respeito iniciamos um embate que pode se tornar bastante complexo. Afinal, um ganha e o outro perde e a criança, ao perceber isso, faz também de tudo para vencer esse embate.
Esse caminho gera medo, distância e muitas vezes até a mentira aparece como sendo a única maneira de evitar esse momento, o tapa. As crianças hoje entram nesse embate porque de alguma maneira, não toleram falta de respeito, mas normalmente sua forma de agir para vencer os embates é através da falta de respeito também. Com esse ciclo fechado, pais e filhos se afastam e a comunicação, o encontro e o respeito se tornam grande objetivos difíceis de alcançar. Com firmeza amorosa, respeito e aplicando a constância, a coerência na forma de corrigir e a consequência de suas atitudes, o que encontramos são famílias unidas, parceiras e crianças crescendo com amor, respeito, e a real educação. Todos na ação de educar. Educação positiva que gera crescimento para todos. Fazer com que o outro faça algo que você quer não é difícil. O precioso é perceber por que motivo essa pessoa mudou sua atitude. Por medo, por estar sem saída, ou por amor, por ganho de consciência? A paisagem que vemos nessa caminhada depende dos lugares que caminhamos. E nós, os adultos, temos essa escolha.

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